Templo de Ciara
(Cidadela Dourada – Principado do Mel)
Dia 21 do primeiro mês do verão do ano 1005 da Dinastia Lilidriel – Final da Tarde
[Alden, Galdan, Kzavier]Kzavier também fica apreensivo, assim como Alden, quando o velho parece entristecido. Também simpatizara com ele, pois além de tê-lo achado agradável, Pizce conhecia seu primo, de quem tanto gostava. Acenou de leve com a cabeça quanto ao pedido de não interromper, e quando Galdan saiu, acompanhou-o com o olhar. Kzavier meneia a cabeça para si mesmo quando o paladino já está fora da cozinha, mas nada diz.
[Alden, Kzavier] Argus olha para Alden como se não tivesse entendido a pergunta. Logo, o bule metálico começa a chiar e ele rapidamente o tira com um pano grosso e resistente pela alça. Leva até a mesa e preenche as xícaras de Alden e Kzavier com água. A flor seca dentro do recipiente se intumesce, ficando parecido com um cravo de cor parda. Tinha um aroma forte semelhante ao do jasmim, só que mais doce.
- Argus não entende sua pergunta, senhor – falou, um pouco sem jeito e desengonçado.
Logo, ele devolve o bule ao fogão e colocar mais água dentro. Então, começa a cortar um dos bolos – aparentemente de chocolate e outros grãos – em fatias finas. Após quatro ou cinco fatias cortadas, ele coloca o restante do bolo em outro prato e coloca o prato com as fatias entre Alden e Kzavier.
- Chocolate do sul, castanhas, coco, aveia e girassol. Pessoas da vila trouxeram. Bom.
- Obrigado, Argus – disse Kzavier, sorrindo e pegando uma fatia. – Faz muito tempo que mora com o senhor Karpov?
A pergunta era a mesma que Alden tinha feito, mas Kzavier tentou reformulá-la para que ficasse compreensível para o gigante, que obviamente tinha um considerável atraso intelectual. Por um momento Argus pareceu estar pensando, e logo respondeu, com um sorriso torto.
- Desde sempre, senhor.
- E isso já faz muitos anos?
- Sim, senhor.
- Há quantos anos você mora com o senhor Karpov?
Kzavier experimentou um pedaço de bolo enquanto o gigante travava um combate mental para lembrar da informação indagada. O rapaz perguntava de forma paciente, como se estivesse falando com uma criança de dois anos de idade. Após contar nos dedos (e se perder nas contas pelo menos umas cinco vezes), Argus responde:
- Quinze anos, senhor – respondeu, satisfeito com a atenção recebida e com o fato de ter conseguido contar. – Com licença, Argus precisa pegar lenha, já vem.
Antes de sair ele tira um pano branco que estava sobre uma larga travessa de madeira e coloca-a mais perto dos dois. Havia vários tipos de queijos de tonalidades amarelas diferentes, além de outros dois que tinham uma casca verde azulada. Ele tira uma das rodas de queijo com as mãos. Era pequena, com uns 20 cm de diâmetro, e a crosta era pipocada de ervas verdes.
- Esse ser bom, senhor Karpov fez. Já vem.
Dizendo isso, ele sai pela porta posterior. Terminando a fatia de bolo, Kzavier comenta:
- Puxa, quinze? Com certeza é alto para alguém de quinze anos – ele pegou a xícara, e olhou para a flor dentro do líquido fumegante. – Espero que Galdan fique bem.
[Galdan]Quando chegou na parte anterior da casa, Stella ainda estava de pé, encostada na carroça, cortando a maçã em pequenas fatias para comer. Quando Galdan a olhou pela janela, parecia alheia a tudo e também não deu sinais de que havia percebido a sua presença.

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